Deus é aquele ao qual obedecemos, para quem ofertamos nossas energias e pelo qual somos capazes de grandes sacrifícios. É aquele pelo qual lutamos do amanhecer até tarde da noite e não nos cansamos nunca de buscá-lo, faça chuva, faça sol. E quando o encontramos, o nosso coração vibra e se fortalece. Quanto mais perto estamos dele, mais o queremos conosco e quanto mais o buscamos com seriedade mais ele fica conosco.
Por isso nossa confiança repousa sobre ele. Nos momentos mais difíceis ele está do nosso lado para nos aquecer, nos dar conforto e segurança. Na sua presença tornamo-nos fortes e não nos deixamos abater.
Qual é o seu Deus senão aquele no qual você mora, no qual você anda, no qual você se concentra? O nosso Deus não pode ser o mesmo porque andamos com Deuses diferentes, moramos em Deuses diferentes e somos comandados por Deuses diferentes. O nosso Deus não se deixa dividir. Porquanto sempre será um Deus injusto que colhe onde não semeou e nunca será todo poderoso.
"Sois Deuses. Sois todos filhos do Altíssimo. Contudo morrereis como simples homens, como qualquer príncipe caireis." (Sl 81?)
No dia da renovação do mundo [...] Mt 19,28 Perguntar-lhe-ão OS JUSTOS: ‘Senhor, quando foi que te vimos com fome e te demos de comer, ... te demos de beber? Quando foi ... que te acolhemos, nu e te vestimos? .. enfermo ou na prisão e te fomos visitar?’ Responderá o Rei: ‘Em verdade eu vos declaro: todas as vezes que fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequeninos, foi a mim mesmo que o fizestes’”. Mt 25,31-46
terça-feira, 5 de julho de 2011
sábado, 21 de maio de 2011
Deus castiga?
Se eu, imperfeito, que tantas vezes feri pessoas, tornei-me um homem incapaz de ferir, imagina então Deus! Ele em sua bondade infinita jamais vai castigar alguém.
Quem castiga é o Demônio e depois de fazê-lo põe a culpa em Deus.
Sirva de exemplo o caso das enchentes. Quem primeiro sofre com elas são os mais pobres. O sistema injusto do Demônio explora as pessoas e a natureza, vacila os fundamentos da terra, empurra os mais fracos para a periferia e quando vêm as enchentes, as tempestades, os terremotos etc. põe a culpa em Deus.
Quem castiga é o Demônio e depois de fazê-lo põe a culpa em Deus.
Sirva de exemplo o caso das enchentes. Quem primeiro sofre com elas são os mais pobres. O sistema injusto do Demônio explora as pessoas e a natureza, vacila os fundamentos da terra, empurra os mais fracos para a periferia e quando vêm as enchentes, as tempestades, os terremotos etc. põe a culpa em Deus.
sábado, 23 de abril de 2011
A passagem
Para esta viagem, não há nada a se comprar.
Você só tem a perder.
Começa com aquela que você mais ama.
Ela é a primeira que, por uma série de razões, não pode partir com você.
Por isso, fica no seu canto. Nem pense em comprar esta passagem!
Por outro lado, você vai correr o risco de perder o seu emprego.
Isto seria um golpe fatal para você. Sem a sua amada, você ainda sobrevive,
Mas sem o seu emprego o mundo vai desmoronar sobre a sua cabeça.
Então fecha a sua boca e não fale coisas inconvenientes no seu emprego.
As coisas que você diz são profundas e verdadeiras, as pessoas vão admirar você por isso.
Mas não se engane, na hora H, você vai estar sozinho. Ninguém mais vai embarcar com você.
Na sua solidão estarão zombando de você. Então não faça o que fiz, você não tem de passar por isso. Fica no seu mundo, onde você sempre vai encontrar pessoas para apoiá-lo.
Se você pegar esse trem e vir pra cá, não terá mais como voltar. E aqui as coisas não funcionam como no seu mundo, onde cada um cuida da sua vida. Aqui você vê tudo em um espelho gigante e não se alegra, dando graças a Deus, pois nada de mal acontece a você. Aqui o mal feito ao outro atinge diretamente o seu cérebro e penetra na sua carne como espada cortante. Por isso, fica no seu mundo e nada disso vai lhe acontecer. Procure o máximo de segurança, mantenha as portas sempre bem trancadas e reze para que esses males não lhe perturbem. Essa é a melhor forma de se proteger. O menor vacilo pode ser fatal. Se você der uma brecha, pode ser assaltado por um sentimento diferente e querer colocar-se no caminho para cá e então você não vai ter mais sossego.
A única vantagem aqui é que você aprende a não ter medo da morte. É tipo um vale brinde que acompanha a passagem. Mas não é algo garantido, você vai precisar do outro para realizar esta passagem. Se na travessia você estiver sozinho, você fatalmente vai morrer, embora você tenha a certeza de que em algum momento e pode demorar dois mil anos, você terá nova chance. O saco disso tudo é que não dá para se salvar sozinho. Mais uma razão para você ficar no seu mundinho. Lá a salvação depende só de você. Aqui enquanto houver uma só criança passando fome, enquanto houver um só desempregado, enquanto houver uma só violência de ser humano contra ser humano, a passagem não estará completada, o pai vai cobrar na sua cara a falta daquele filho.
Você só tem a perder.
Começa com aquela que você mais ama.
Ela é a primeira que, por uma série de razões, não pode partir com você.
Por isso, fica no seu canto. Nem pense em comprar esta passagem!
Por outro lado, você vai correr o risco de perder o seu emprego.
Isto seria um golpe fatal para você. Sem a sua amada, você ainda sobrevive,
Mas sem o seu emprego o mundo vai desmoronar sobre a sua cabeça.
Então fecha a sua boca e não fale coisas inconvenientes no seu emprego.
As coisas que você diz são profundas e verdadeiras, as pessoas vão admirar você por isso.
Mas não se engane, na hora H, você vai estar sozinho. Ninguém mais vai embarcar com você.
Na sua solidão estarão zombando de você. Então não faça o que fiz, você não tem de passar por isso. Fica no seu mundo, onde você sempre vai encontrar pessoas para apoiá-lo.
Se você pegar esse trem e vir pra cá, não terá mais como voltar. E aqui as coisas não funcionam como no seu mundo, onde cada um cuida da sua vida. Aqui você vê tudo em um espelho gigante e não se alegra, dando graças a Deus, pois nada de mal acontece a você. Aqui o mal feito ao outro atinge diretamente o seu cérebro e penetra na sua carne como espada cortante. Por isso, fica no seu mundo e nada disso vai lhe acontecer. Procure o máximo de segurança, mantenha as portas sempre bem trancadas e reze para que esses males não lhe perturbem. Essa é a melhor forma de se proteger. O menor vacilo pode ser fatal. Se você der uma brecha, pode ser assaltado por um sentimento diferente e querer colocar-se no caminho para cá e então você não vai ter mais sossego.
A única vantagem aqui é que você aprende a não ter medo da morte. É tipo um vale brinde que acompanha a passagem. Mas não é algo garantido, você vai precisar do outro para realizar esta passagem. Se na travessia você estiver sozinho, você fatalmente vai morrer, embora você tenha a certeza de que em algum momento e pode demorar dois mil anos, você terá nova chance. O saco disso tudo é que não dá para se salvar sozinho. Mais uma razão para você ficar no seu mundinho. Lá a salvação depende só de você. Aqui enquanto houver uma só criança passando fome, enquanto houver um só desempregado, enquanto houver uma só violência de ser humano contra ser humano, a passagem não estará completada, o pai vai cobrar na sua cara a falta daquele filho.
domingo, 20 de março de 2011
Sobre o Filho Pródigo
O filho mais moço pede ao pai sua herança porque não quer compartilhar aquilo que lhe pertence com o irmão e o pai, pois acredita que a sua maneira vai se sair bem melhor.
O pai, mesmo sabendo que o filho mais moço com essa atitude iria se esborrachar, não o impede de agir a seu modo. O pai sabe que a única maneira de educar seu filho é permitir-lhe o erro. Quando o filho ficar sem alimentos, maltratado, escravizado, sem liberdade de escolha, então vai lembrar-se do pai.
Somos nós o filho pródigo que insiste em não compartilhar os bens. Mas estamos muito próximos de voltar para a casa do pai e do nosso irmão que nos dão a lição da partilha.
O pai, mesmo sabendo que o filho mais moço com essa atitude iria se esborrachar, não o impede de agir a seu modo. O pai sabe que a única maneira de educar seu filho é permitir-lhe o erro. Quando o filho ficar sem alimentos, maltratado, escravizado, sem liberdade de escolha, então vai lembrar-se do pai.
Somos nós o filho pródigo que insiste em não compartilhar os bens. Mas estamos muito próximos de voltar para a casa do pai e do nosso irmão que nos dão a lição da partilha.
terça-feira, 1 de março de 2011
Às três Marias
Cristo nasceu para fazer justiça às três Marias:
Maria, mãe, Maria, irmã, Maria, mulher.
Todo filho será como o de Maria:
Não esmorecerá nem se deixará abater
Enquanto não estabelecer a Justiça na terra.
Prefere morrer a lavar as mãos perante as injustiças.
Todo irmão será como o de Maria:
Divide os bens com todos e nunca vai reclamar ao pai sua parte na herança,
Pois sabe que todos os bens lhe pertencem.
Todo homem será como o de Maria:
Seu amor por ela é infinito. Sempre vai perdoá-la
E não vai permitir que seja apedrejada em hipótese alguma.
Maria, mãe, Maria, irmã, Maria, mulher.
Todo filho será como o de Maria:
Não esmorecerá nem se deixará abater
Enquanto não estabelecer a Justiça na terra.
Prefere morrer a lavar as mãos perante as injustiças.
Todo irmão será como o de Maria:
Divide os bens com todos e nunca vai reclamar ao pai sua parte na herança,
Pois sabe que todos os bens lhe pertencem.
Todo homem será como o de Maria:
Seu amor por ela é infinito. Sempre vai perdoá-la
E não vai permitir que seja apedrejada em hipótese alguma.
sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011
Bemaventurados os que têm um coração de pobre...
“Bemaventurados os que têm um coração de pobre, porque deles é o Reino dos céus.” Mt 5,3
Muitos interpretaram e interpretam esta bemaventurança de que é necessário ser pobre para entrar no Reino dos céus. Esta interpretação no entanto é apenas uma parte da verdade.
Vejamos: Quando falamos em Reino de Deus estamos nos referindo a um reino, onde todos são extremamente ricos. Se Deus é dono de todas as riquezas, seus filhos irão herdar todas estas riquezas e não haverá lugar para pobreza nem de espírito e nem material. A riqueza de espírito garantirá também a riqueza material.
Estabelece-se então um contrasenso: É preciso ser pobre para ter acesso a um reino extremamente rico? Isto merece uma explicação!
Se olharmos para Jesus Cristo, vemos de fato uma pobreza material. Ele não tinha posses. Estabelece também para os seus seguidores a mesma condição: “Qualquer um de vós se não renunciar a tudo o que possui não pode ser meu discípulo.” Lc 14,33. Outrossim pede aos seus discípulos que levem seus ensinamentos a todas as pessoas. Isto implica que teremos ao final das contas um mundo sem posses. Então teremos o Reino de Deus, ou seja, ninguém é dono de nada ou de modo invertido, todos são donos de tudo.
Jesus insiste nesta postura em várias passagens: “Se alguém lhe toma o manto, deixe que leve também a túnica.” Trata-se de um espírito que em hipótese alguma está disposto a disputar os bens materiais. Este espírito sabe que tudo lhe pertence. Quando terminar a sua missão, que é a de ensinar àqueles que mantêm posses, àqueles que roubam, de que todos são donos de tudo, vamos reorganizar o mundo de acordo com este fundamento, quando esta missão for cumprida então o Reino de Cristo de fato estará estabelecido.
Muitos interpretaram e interpretam esta bemaventurança de que é necessário ser pobre para entrar no Reino dos céus. Esta interpretação no entanto é apenas uma parte da verdade.
Vejamos: Quando falamos em Reino de Deus estamos nos referindo a um reino, onde todos são extremamente ricos. Se Deus é dono de todas as riquezas, seus filhos irão herdar todas estas riquezas e não haverá lugar para pobreza nem de espírito e nem material. A riqueza de espírito garantirá também a riqueza material.
Estabelece-se então um contrasenso: É preciso ser pobre para ter acesso a um reino extremamente rico? Isto merece uma explicação!
Se olharmos para Jesus Cristo, vemos de fato uma pobreza material. Ele não tinha posses. Estabelece também para os seus seguidores a mesma condição: “Qualquer um de vós se não renunciar a tudo o que possui não pode ser meu discípulo.” Lc 14,33. Outrossim pede aos seus discípulos que levem seus ensinamentos a todas as pessoas. Isto implica que teremos ao final das contas um mundo sem posses. Então teremos o Reino de Deus, ou seja, ninguém é dono de nada ou de modo invertido, todos são donos de tudo.
Jesus insiste nesta postura em várias passagens: “Se alguém lhe toma o manto, deixe que leve também a túnica.” Trata-se de um espírito que em hipótese alguma está disposto a disputar os bens materiais. Este espírito sabe que tudo lhe pertence. Quando terminar a sua missão, que é a de ensinar àqueles que mantêm posses, àqueles que roubam, de que todos são donos de tudo, vamos reorganizar o mundo de acordo com este fundamento, quando esta missão for cumprida então o Reino de Cristo de fato estará estabelecido.
sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011
A parábola do Filho Pródigo
A parábola do filho pródigo
Resumo: Um pai tinha dois filhos. O mais moço não estava satisfeito e pediu a sua herança ao pai. O pai deu-lhe a herança, o filho afastou-se de casa. Em pouco tempo esbanjou tudo e começou a passar fome. Então lembrou-se do pai, junto do qual não há fome, nem violência etc. Descidiu voltar e pedir perdão. O pai o recebeu de braços abertos, vestiu-lhe as melhores roupas, colocou-lhe um anel no dedo e mandou preparar uma festa. O outro filho reclamou, pois sempre estava com o pai e o pai nunca havia feito festa alguma. Mas o pai lhe explicou que tudo sempre foi dele, mas era necessário fazer festa porque o irmão estava morto e tornou a viver.
Explicação: O pai é Deus, criador de todas as riquezas, quem está sempre com ele é dono de todas as riquezas. Jesus Cristo é o filho que sempre está com o pai. Ele deu a sua vida, foi crucificado, mas não foi possível fazer festa. Os seus seguidores foram perseguidos, mortos, caçados até que o reino que estava sendo construído por eles (veja os primeiros cristãos At 2,44-45) fosse totalmente destruído. Apenas a mensagem do reino de Deus foi passada de geração em geração e chegou até nós. O filho pródigo somos todos nós, que não aceitamos a idéia de Deus de compartilhar todos os bens, não vivemos em sua casa, onde tudo é de todos. Jesus Cristo é o filho mais velho, sempre está com o pai, e tenta nos convencer a ficar com ele: “Qualquer um de vós se não renunciar a tudo o que possui não pode ser meu discípulo.” Lc 14,33
Estamos então diante de dois reinos, um é o da não posse, que é o Reino de Deus, pregado por Jesus Cristo e o outro é o da posse, o Reino do Filho Pródigo, o mundo no qual vivemos. Tudo o que foi construído por Deus durante bilhões de anos, nós, o filho pródigo, estamos gastando e esbanjando a passos largos, porque organizamos as coisas ao nosso modo. O que estamos presenciando é uma violência crescente, uma aceleração da destruição das belezas naturais. À medida que as reservas vão se esgotando ficamos cada vez mais preocupados com a nossa sobrevivência, a competição aumenta, nos tornamos mais gananciosos ainda e cada vez mais pessoas passam fome e sofrem as conseqüências de um filho estúpido que não está preparado para dividir.
Chegará o momento, e ele já chegou, em que este filho vai lembrar-se do pai. Vai lembrar-se dos ensinamentos de Jesus Cristo, vai pedir perdão e voltar para a casa.
Mas o que é voltar para a casa do pai? É colocar os ensinamentos de Cristo em prática e construir o Reino de Deus, o reino da não posse. A terra será um paraíso, onde tudo é de todos.
Quando apenas um tomar essa decisão, e for aceito, então essa volta para casa terá início e não vai cessar até cobrir toda a terra. A nossa missão em relação a de Cristo é muito mais leve. Precisamos apenas de um pequeno impulso, um pouco de coragem, sem temer as piadas que vão fazer com a gente. É o máximo que vamos ter de suportar. Mas a recompensa é imediata: a sensação de leveza, de alegria, de justiça, de vida plena não se deixa explicar. Se um tomar essa atitude, logo serão dez, vinte, mil. Todos vão poder experimentar o prazer de andar neste caminho. Ou seja, haverá uma grande festa.
Este é o motivo pelo qual o filho mais velho, Jesus, reclama com o pai. Ele, Cristo, fez tudo por nós, morreu na cruz, teve de suportar sozinho todas as dores. Agora vem este, que esbanjou tudo e logo se faz uma festa para ele. Esta reclamação no entanto é apenas simbólica. Na verdade trata-se de duas histórias do mesmo filho, pois Deus só tem um filho, Jesus Cristo. O Filho Pródigo é a morte de Cristo, o sufocamento do Reino de Deus. A volta do Filho Pródigo é a volta daquele que estava morto e tornou a vida, ou seja, o próprio Cristo. Quando lembra do pai, se arrepende. Quando entra na casa do pai, já não é mais o pródigo, mas o próprio Cristo. Ninguém entra na casa do pai se não for puro. Felizes os puros de coração porque verão a Deus. Quem é puro só pode ser Cristo. Cristo está nele e ele está em Cristo. Eles formam um só e todos que tomarem esta atitude formam um só corpo e um só espírito.
Este movimento vai começar, já começou, vai estender-se ao mundo todo e só vai parar quando ocupar todas as terras. Só quem experimentar esta volta autêntica para casa sabe do que está falando. Ela é simplesmente arrebatadora. E quando apenas uma dúzia tiver experimentado desta fonte de água viva, os que estiverem à volta também vão querer experimentar e então chegaremos ao fim de um mundo estúpido.
Resumo: Um pai tinha dois filhos. O mais moço não estava satisfeito e pediu a sua herança ao pai. O pai deu-lhe a herança, o filho afastou-se de casa. Em pouco tempo esbanjou tudo e começou a passar fome. Então lembrou-se do pai, junto do qual não há fome, nem violência etc. Descidiu voltar e pedir perdão. O pai o recebeu de braços abertos, vestiu-lhe as melhores roupas, colocou-lhe um anel no dedo e mandou preparar uma festa. O outro filho reclamou, pois sempre estava com o pai e o pai nunca havia feito festa alguma. Mas o pai lhe explicou que tudo sempre foi dele, mas era necessário fazer festa porque o irmão estava morto e tornou a viver.
Explicação: O pai é Deus, criador de todas as riquezas, quem está sempre com ele é dono de todas as riquezas. Jesus Cristo é o filho que sempre está com o pai. Ele deu a sua vida, foi crucificado, mas não foi possível fazer festa. Os seus seguidores foram perseguidos, mortos, caçados até que o reino que estava sendo construído por eles (veja os primeiros cristãos At 2,44-45) fosse totalmente destruído. Apenas a mensagem do reino de Deus foi passada de geração em geração e chegou até nós. O filho pródigo somos todos nós, que não aceitamos a idéia de Deus de compartilhar todos os bens, não vivemos em sua casa, onde tudo é de todos. Jesus Cristo é o filho mais velho, sempre está com o pai, e tenta nos convencer a ficar com ele: “Qualquer um de vós se não renunciar a tudo o que possui não pode ser meu discípulo.” Lc 14,33
Estamos então diante de dois reinos, um é o da não posse, que é o Reino de Deus, pregado por Jesus Cristo e o outro é o da posse, o Reino do Filho Pródigo, o mundo no qual vivemos. Tudo o que foi construído por Deus durante bilhões de anos, nós, o filho pródigo, estamos gastando e esbanjando a passos largos, porque organizamos as coisas ao nosso modo. O que estamos presenciando é uma violência crescente, uma aceleração da destruição das belezas naturais. À medida que as reservas vão se esgotando ficamos cada vez mais preocupados com a nossa sobrevivência, a competição aumenta, nos tornamos mais gananciosos ainda e cada vez mais pessoas passam fome e sofrem as conseqüências de um filho estúpido que não está preparado para dividir.
Chegará o momento, e ele já chegou, em que este filho vai lembrar-se do pai. Vai lembrar-se dos ensinamentos de Jesus Cristo, vai pedir perdão e voltar para a casa.
Mas o que é voltar para a casa do pai? É colocar os ensinamentos de Cristo em prática e construir o Reino de Deus, o reino da não posse. A terra será um paraíso, onde tudo é de todos.
Quando apenas um tomar essa decisão, e for aceito, então essa volta para casa terá início e não vai cessar até cobrir toda a terra. A nossa missão em relação a de Cristo é muito mais leve. Precisamos apenas de um pequeno impulso, um pouco de coragem, sem temer as piadas que vão fazer com a gente. É o máximo que vamos ter de suportar. Mas a recompensa é imediata: a sensação de leveza, de alegria, de justiça, de vida plena não se deixa explicar. Se um tomar essa atitude, logo serão dez, vinte, mil. Todos vão poder experimentar o prazer de andar neste caminho. Ou seja, haverá uma grande festa.
Este é o motivo pelo qual o filho mais velho, Jesus, reclama com o pai. Ele, Cristo, fez tudo por nós, morreu na cruz, teve de suportar sozinho todas as dores. Agora vem este, que esbanjou tudo e logo se faz uma festa para ele. Esta reclamação no entanto é apenas simbólica. Na verdade trata-se de duas histórias do mesmo filho, pois Deus só tem um filho, Jesus Cristo. O Filho Pródigo é a morte de Cristo, o sufocamento do Reino de Deus. A volta do Filho Pródigo é a volta daquele que estava morto e tornou a vida, ou seja, o próprio Cristo. Quando lembra do pai, se arrepende. Quando entra na casa do pai, já não é mais o pródigo, mas o próprio Cristo. Ninguém entra na casa do pai se não for puro. Felizes os puros de coração porque verão a Deus. Quem é puro só pode ser Cristo. Cristo está nele e ele está em Cristo. Eles formam um só e todos que tomarem esta atitude formam um só corpo e um só espírito.
Este movimento vai começar, já começou, vai estender-se ao mundo todo e só vai parar quando ocupar todas as terras. Só quem experimentar esta volta autêntica para casa sabe do que está falando. Ela é simplesmente arrebatadora. E quando apenas uma dúzia tiver experimentado desta fonte de água viva, os que estiverem à volta também vão querer experimentar e então chegaremos ao fim de um mundo estúpido.
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