No dia da renovação do mundo [...] Mt 19,28 Perguntar-lhe-ão OS JUSTOS: ‘Senhor, quando foi que te vimos com fome e te demos de comer, ... te demos de beber? Quando foi ... que te acolhemos, nu e te vestimos? .. enfermo ou na prisão e te fomos visitar?’ Responderá o Rei: ‘Em verdade eu vos declaro: todas as vezes que fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequeninos, foi a mim mesmo que o fizestes’”. Mt 25,31-46
sábado, 15 de novembro de 2014
Que tal essa?
[...] quem tem identidade, quem tem alteridade, ele pode sofrer todas as perseguições, pode passar por todos os becos circunstancias da vida, mas ele não perde o rumo, por que ele sabe quem ele é, sabe de onde veio e para onde vai. Ele não vai ficar se vendendo em troca de bugiganga. E um grande trajeto da civilização moderna é que por falta de alteridade as pessoas estão vivendo por conta das bugigangas: é consumir o próximo celular, a próxima porcaria eletrônica, o próximo carro, o próximo item tecnológico. As nossas crianças estão sendo estimuladas o tempo inteiro a essa alienação de ter objetos, de ter coisas. Então, a maioria de nós estamos forçados pela ideia de ter coisas e não de ser. (KRENAC, 2012, p. 128).
domingo, 31 de agosto de 2014
Como assim?
Aqueles que dizem amar a Deus, deveriam ter a coragem, ao menos uma vez na vida, de se colocar no lugar do Pai. Assim entenderiam facilmente por que Ele não favorece este ou aquele filho e nem distribui a sua herança de acordo com os méritos deste ou daquele. A sua herança é distribuída igualmente entre todos os seus filhos. Não é isso que como pais entendemos por justo? Se as coisas estão mau distribuídas certamente não é por vontade do Pai de todos. Este que pensa que um filho tem mais direitos sobre a herança do que outro só pode ser um intruso e infelizmente está no comando. Já é hora de pensarmos na Justiça do Pai verdadeiro.
sexta-feira, 6 de junho de 2014
O Futebol e a Besta
O futebol é um jogo maravilhoso e vem cada vez mais encantando as plateias e conquistando o mundo. Poderia o futebol moderno, que teve início há pouco mais de um século, estar relacionado à volta da divindade para a terra?
Aparentemente não, mas se olharmos mais de perto podemos ver que o futebol tal qual se organiza é talvez um dos sinais, anunciando a volta do Messias. Em campo duas equipes rivais, onze jogadores, os onze discípulos. Mas onde estou eu? Eu sou aquele que o traiu. O camisa 12. Estou apenas na torcida, pedindo para que ele volte. Ao centro a bola, a terra, para onde se dirigem todos os olhares. As duas equipes adversárias lutam pelo domínio da bola. Em um estádio lotado, todos os habitantes da terra se empurram para ver o grande espetáculo. O jogo é em casa, todos torcendo pela terra. O adversário, o que vem de fora, não é ninguém menos do que a equipe de Jesus, derrotado e expulso da terra há dois mil anos, mas que prometeu voltar e estabelecer o Reino de Deus aqui.
Já nos vestiários, o técnico Jesus Cristo orienta os seus onze jogadores, discípulos, sobre as estratégias para um domínio perfeito sobre a bola, o mundo. Seu discurso no vestiário é mais ou menos o seguinte:
“Vocês são as forças do bem e precisam livrar a bola das forças do mal. A terra é o paraíso e precisamos protegê-la, estabelecendo um reino justo onde haja igualdade e vida em abundância. O adversário vocês já conhecem, ele é perigosíssimo. Há dois mil anos, no nosso primeiro confronto fomos derrotados não por falta de competência, mas porque foi um jogo sujo. Fomos traídos, injustiçados e eles acabaram levando o troféu.
O preço da injustiça custou caro para a bola terra e para os que amam esta bola. Muito sangue foi derramado, a violência e a pobreza se espalharam sobre ela e hoje já são mais de um bilhão de pessoas abaixo da linha da pobreza. Além disso a pureza do ar, as temperaturas agradáveis, o prazer de viver, o equilíbrio do eco-sistema estão sendo duramente afetados. Guerras, roubos, assaltos e uma infinidade de violências desfilam diariamente pelas telas da televisão.
Neste jogo de ida e volta não nos resta alternativa a não ser vencer, já que fomos derrotados no primeiro jogo. Vocês conhecem muito bem quais são as condições para jogar no meu time: nada de hierarquia, ninguém aqui é maior do que o outro, cada um tem sua posição e todas são importantes. Quem quiser ser o maior, que sirva o outro. Vocês não estão jogando por dinheiro, mas pela vida. Vocês receberam de graça, deem de graça e, principalmente, lembrem-se de que a bola é de todos. Não quero nenhum fominha, que acha que tem mais direitos sobre a bola do que os demais.
Do outro lado está o nosso adversário: Ele é violento e joga por dinheiro, hierarquia e propriedades. Toda vez que aparece alguém que paga mais, ele vai embora, vive mudando de time. O tempo todo estão disputando para angariar fama e mostrar que são melhores que os outros. Por fim, quando têm propriedades e dinheiro suficientes, já não se esforçam mais para jogar. Nós vamos explorar bem os seus pontos fracos e assim ganhar o jogo.
Mas lembrem-se: nós estamos na casa do adversário. Na arquibancada está aquele que nos traiu. Temos de jogar de tal forma que ele nos reconheça. São bilhões cantando e gritando o hino deles: “dinheiro, propriedade, hierarquia...”. A pressão inicial, portanto, vai ser enorme...
Daquela vez não havia juiz e por isso não nos deixaram jogar. Isto agora nos favorece muito. Se for um jogo limpo, eles não nos poderão vencer. Vencendo, vocês sabem que estabelecem a justiça e a paz neste grande reino da bola e mandam este adversário violento, ardiloso e trapaceiro para a segunda divisão, de onde jamais sairá.
O extraordinário será ver a torcida aos poucos se calando e ficando dividida. Ao final do jogo haverá uma grande festa, porque enfim os cegos conseguirão enxergar, os doentes serão curados, os cativos libertos e os famintos saciados. Eles vão entender o que está escrito: ‘Vinde, benditos de meu Pai, tomai posse do Reino que vos está preparado desde a criação do mundo, porque tive fome e me destes de comer; tive sede e me destes de beber; era peregrino e me acolhestes; nu e me vestistes; enfermo e me visitastes; estava na prisão e viestes a mim.’ (Mt 25,34-36)
Mas enquanto a torcida está contra nós e o jogo não começa temos de suportar ainda por pouco tempo este hino horrível: ‘dinheiro, propriedade, hierarquia...’. Esta é a história do Papai Noel deles.
O incrível de tudo isto é que vocês, meus fiéis seguidores, são vistos por eles como a força do mal. Vocês representam para eles o Anticristo, o que é possível de entender, já que somos rivais, mas, pasmem, eles usam por baixo do uniforme camisas com o meu nome e espalham faixas usando minhas palavras como ‘Jesus está chegando’. Num jogo histórico, em 2008, o goleiro Clemer, do Sport Club Internacional, clube aclamado naquela noite como campeão de tudo, na entrega do troféu exibia a seguinte faixa: ‘arrependei-vos, Jesus está chegando’. Aliás, o distintivo deste time carrega na bandeira e no uniforme as letras sobrepostas SIC, que podem ser lidas como Senhor Inri Cristo. Em 2006 este mesmo time conquistara o título de campeão mundial, trajando uniforme totalmente branco, em 2010 sagrou-se novamente campeão da taça Libertadores. Foi o time de maior projeção internacional na última década, dando sinais do que está por vir. Assim está nas escrituras:
‘Vi ainda o céu aberto: eis que aparece um cavalo branco....Seu cavaleiro, fiel e verdadeiro, está vestido com um manto tinto de sangue, e o seu nome é Verbo de Deus.... Ele traz escrito no manto e na coxa: Rei dos reis e Senhor dos Senhores...’ (Apoc 19, 11-21)
O time de futebol mencionado acima não tem nada a ver com a justiça. Ele se presta apenas para que um cavaleiro, torcedor deste time, se identifique como sendo ele próprio a verdadeira besta. Com a inscrição SIC (Senhor Inri Cristo) no manto (camisa) e na coxa (calção) é ele na verdade Judas, o traidor, que durante dois mil anos sob a minha insígnia, usou e abusou de mim. Ele está na torcida. Com o manto tinto de sangue, encharcado de violência e traição, usou o meu nome, Jesus Cristo, representado pelo cavalo branco, para dar crédito às suas aventuras nefastas pelo mundo afora. A maior astúcia do demônio foi entrar em Judas Iscariotes e assumir a minha identidade, falar em meu nome durante quase dois mil anos. Mas este Judas, da mesma maneira que deixou o demônio se apossar dele, e contaminar toda a terra, vai expulsá-lo da sua mente, e reunir um exército a meu favor.
Em outra passagem das escrituras também se ilustra a nossa situação para o jogo que vai começar:
‘Mas quando vier o filho do homem, acaso achará fé sobre a terra’? (Lc. 18,8)
Mas não se preocupem com a torcida. Concentrem-se no jogo. Façam o que vocês sabem fazer e naturalmente chegarão à vitória. Depois daquele primeiro jogo apareceram muitos na terra falando em meu nome, dizendo que eram eu e seduziram toda esta gente. Mas imitam-me apenas nas palavras e colocam o mal onde ele não está e cantam hinos ao verdadeiro mal, que inunda a terra de sangue e vergonha. Vamos hoje dar um basta nisto, já está na hora, entrem lá e mostrem quais obras acompanham aqueles que jogam no meu time.”
No primeiro jogo ficou claro o poder deste time. Onze jogadores com seu técnico conquistaram o mundo, levando a sua palavra até os confins da terra. No entanto, o primeiro jogo foi apenas uma preparação para a conquista definitiva a realizar-se neste segundo jogo. Quando este time entrar em campo, nada mais poderá detê-los.
terça-feira, 27 de maio de 2014
sexta-feira, 9 de maio de 2014
Mães Marias
Sou filho de três Marias.
A terceira Maria sonhou para ela um homem que não a traísse.
Ela o traiu.
Ela não é feliz.
A segunda Maria sonhou para ela um homem que não a traísse.
Ele a traiu várias vezes.
Ela não é feliz.
A primeira Maria sonhou para ela um homem que não a traísse.
Ele não a traiu.
Ela não é feliz.
Por que as minhas mães não são felizes?
sexta-feira, 25 de abril de 2014
O estranho perfeito
Quando não havia mais nenhuma fresta de luz no abismo que os separara, ele pôs-se a caminhar na direção dela sobre a ponte que ele mesmo construira nas trevas. Antes que se pudesse acreditar no sol, alcançou-a e tomando-a pela mão, colocou nela aquilo que lhe tinha roubado antes de sair da casa dela. Então os seus olhos se abriram e todos puderam ver o que o ladrão lhe tinha roubado.
quinta-feira, 3 de outubro de 2013
Uma casa perfeita?
Todas as ideias que publiquei e continuo publicando têm de concreto o seguinte: a construção de uma casa. Vou ocupar um dos quartos. O outro está reservado para alguém. Alguém muito especial: um amigo!? Ou será uma amiga!? Não sei. Só sei que será como um nascimento. O meu objetivo é descobrir que outras coisas podem ser construídas entre seres humanos além de relações finitas, supérfluas, interesseiras etc. Quando isto se der, quando já não estiver sozinho, vamos então construir juntos mais quartos e encontrar pessoas que queiram experimentar práticas novas. Imagino uma construção revolucionária. Penso em algo muito seguro, tipo uma casa sobre a rocha. De uma tecnologia tão moderna que atraísse os ladrões para dentro dela e que ali ao vê-la por dentro ficassem tão encantados com as jóias e ao levá-las para fora atraíssem cada vez mais ladrões, prostitutas, garimpeiros, políticos, homens e mulheres de todas as raças e crenças e quanto mais pedras preciosas se tirassem das paredes mais elas se multiplicariam. Poderia nascer daí um novo conceito de amizade, de família, de estrutura social? Se soubesse de início que tudo era tão simples, não teria passado noites em claro refletindo sobre a complexidade da vida e sobre os caminhos que levam à construção de uma sociedade justa.
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